DIPLOMA DE JORNALISTA - Para pendurar na sala, ou no banheiro?
Antes de discutir-se a obrigatoriedade de todo jornalista possuir diploma, creio ser mais essencial discutir-se o que é o jornalismo. Nas grandes escolas de jornalismo brasileiras, parece ter-se perdido o sentido original de o que é ser jornalista, o que é formar um jornalista. Hoje, vemos estudantes entrando a rodo nesta cadeira, que um dia já foi local gerador de debates e idéias construtivas para o futuro do país e do mundo.
Nesses tempos em que as atrações principais da Internet são o orkut e o messenger, vemos "futuros jornalistas" aprendendo a ser reprodutores de uma técnica jornalística lead-corpo-páragrafo final. Todos estão mais preocupados em saber termos técnicos e corriqueiros do jornalismo, ao invés de angariar aquilo que é a essência de uma matéria jornalística, seja em qualquer mídia: o conteúdo.
As escolas de jornalismo dedicam pouco tempo ao "ensino" da cultura. O incentivo à leitura é mínimo. O treinamento para a repetição técnica é máximo. Os debates cada vez mais resumem-se às conversas de pátio sobre o jogo de futebol de ontem. Ninguém sabe quem são os grandes escritores, os grandes músicos, os grandes economistas, os grandes juristas, nem mesmo os grandes jornalistas. Hoje, os conhecidos são os galãs da televisão.
Não estou aqui condenando o ensino da parte técnica desta arte que é o jornalismo. Tudo que é bom tem a sua técnica. O problema é que às pessoas somente é passada essa parte, essa pequena parte que o mundo acadêmico tem condições de ensinar.
Pouquíssimas são as aulas em que os alunos simplesmente chegam, colocam suas mochilas e pastas embaixo da carteira, e começam a debater com o professor sobre algum assunto relevante da sociedade.
Menos ainda são as aulas em que livros e estudos críticos são analisados pelos alunos, em debates, em trocas de idéias aluno-professor-aluno. Hoje estão todos apenas preocupados em abrir o caderno e anotar que "retranca" é o nome de uma matéria dado nas redações. O pior é que os alunos saem de sala achando que estão por cima, que sabem tudo, que jornalismo é isso aí e estão prontos para o mercado de trabalho.
Talvez até estejam, visto que hoje em dia há pouco espaço para o jornalismo "romântico", por mais clichê que isso possa soar. Hoje vemos apenas reproduções e reproduções. Vemos matérias sobre o acidente em que o cachorro foi atropelado, em que a atriz quebrou a perna, sobre a abertura de uma nova lanchonete, e o pior, sobre "aquilo tudo que está acontecendo lá em Brasília". Até mesmo os temas de grande importância para o público são tratados de forma tão técnica, que parecem estar lá longe, longe dos nossos bolsos e de nossas vidas.
Diploma de jornalista deve ser obrigatório sim - mas não com esse tipo de ensino.

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